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Empréstimo consignado do INSS: regras, teto de juros e cuidados

Atualizado em

O consignado do INSS é o empréstimo com parcela descontada direto do benefício. Os juros são menores que os de outras linhas, mas as regras — teto de juros e margem consignável — mudam com frequência, e o produto é alvo constante de golpes contra aposentados. Este guia explica o essencial.

Atenção: o teto de juros e a margem consignável do INSS são revisados periodicamente pelo CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social) e por atos do governo. Esta página não traz números que podem estar desatualizados: confirme os valores vigentes no Meu INSS ou pelo telefone 135. Última revisão desta página: 01/07/2026.
Aposentado sorrindo, comemorando

O que é o consignado do INSS

No empréstimo consignado, a parcela é descontada do benefício antes de o dinheiro chegar à sua conta. Para o banco, o risco de calote é baixo — por isso os juros são bem menores que os do empréstimo pessoal comum e, principalmente, que os do rotativo do cartão de crédito.

Essa mesma característica é o principal risco para quem contrata: o desconto é automático e dura anos. Não dá para "pular" uma parcela no mês apertado. Um benefício comprometido com consignado é menor todo mês, até o fim do contrato. Por isso a regra prática: consignado bom é o que substitui dívida mais cara ou resolve uma necessidade real — não o que vira renda extra para consumo.

Qual o teto de juros hoje

O consignado do INSS tem um teto de juros: nenhum banco pode cobrar acima dele. O teto vigente é de 1,85% ao mês para o empréstimo, definido pelo CNPS em março de 2025 — o conselho revisa o valor periodicamente, em geral acompanhando as mudanças da taxa Selic (em 2026 discute-se até uma regra automática de reajuste). Há também um teto separado, mais alto, para o cartão de crédito consignado e o cartão de benefício: 2,46% ao mês.

Duas consequências práticas. Primeira: teto é limite máximo, não preço tabelado — bancos podem (e costumam) oferecer taxas abaixo dele, então vale cotar em mais de uma instituição. Segunda: quando o CNPS reduz o teto, pode valer a pena pedir a portabilidade de um contrato antigo para outro banco com taxa menor. A portabilidade é gratuita e é um direito do consumidor.

Margem consignável: quanto do benefício pode ser comprometido

A margem consignável é o limite de quanto do benefício pode ser comprometido com descontos de consignado. Ela é dividida em fatias: uma para o empréstimo consignado e outras, menores, para o cartão de crédito consignado e o cartão de benefício. Desde maio de 2026 (MP 1.355/2026), o limite global é de 40% do benefício, com cada cartão limitado a 5% dentro desse total — e a regra prevê redução gradual de 2 pontos percentuais por ano a partir de 2027, até chegar a 30%. Para beneficiários do BPC, o limite é 35%.

Um exemplo: com a margem global de 40%, um benefício de R$ 2.000 permite descontos somados de até R$ 800 por mês (e o empréstimo sozinho não pode ocupar a fatia dos cartões). A margem existe para proteger o beneficiário: garante que uma parte do benefício sempre chegue livre à conta. Se um banco oferece "liberar mais margem", desconfie — ou é cartão consignado (mais caro), ou é irregular.

Golpes contra aposentados: como se proteger

Os golpes envolvendo consignado seguem alguns roteiros conhecidos. Fique alerta com estes sinais:

  • Empréstimo não solicitado: um valor cai na sua conta sem você ter pedido e, no mês seguinte, começa o desconto no benefício. Não gaste o dinheiro. Conteste no banco imediatamente e registre reclamação no Meu INSS ou pelo 135.
  • Taxa antecipada: ninguém sério cobra "taxa de liberação", "seguro" ou depósito antecipado para soltar um empréstimo. Pediu dinheiro antes de liberar o crédito? É golpe.
  • Falso funcionário do INSS ou do banco: o INSS não liga oferecendo empréstimo nem pede senha, código de SMS ou foto de documento por WhatsApp. Desligue e procure o canal oficial.
  • Pressa e pressão: "só hoje", "última chance", "assine agora pelo link". Golpista tem pressa; banco regulado, não. Nunca assine biometria ou contrato digital que você não leu.
  • Portabilidade fantasma: golpistas "oferecem taxa menor", pegam seus dados e contratam um empréstimo novo em seu nome. Portabilidade se faz no banco de destino, por canal oficial.

Medidas práticas de proteção:

  • Consulte o extrato de empréstimos no Meu INSS de tempos em tempos — é onde um contrato fraudulento aparece primeiro.
  • Ative o bloqueio do benefício para novos consignados no Meu INSS, se não pretende contratar (busque por 'bloqueio de empréstimo' no aplicativo). O desbloqueio pode ser feito quando você quiser.
  • Nunca informe senha do Meu INSS, senha do banco ou código recebido por SMS a quem ligou para você.
  • Foi vítima? Conteste no banco, registre boletim de ocorrência e reclame nos canais oficiais: 135, Procon e consumidor.gov.br.

Consignado ou Desenrola para quitar dívidas?

São ferramentas diferentes. O Desenrola renegocia dívidas já atrasadas e negativadas, com desconto sobre o valor devido. O consignado é crédito novo, com juros baixos, que pode ser usado para quitar dívidas caras que ainda estão em dia — como rotativo do cartão ou cheque especial.

Um caminho razoável para quem está endividado: primeiro, veja se a dívida atrasada entra no Desenrola — o desconto da renegociação costuma valer mais que qualquer troca de juros (simule na calculadora do Desenrola). Se a dívida está em dia mas os juros são altos, o consignado pode substituí-la por uma parcela menor. O erro clássico é fazer os dois sem plano: renegociar, pegar consignado e voltar a usar o cartão — aí a margem fica comprometida por anos e a dívida volta. Quitar dívida cara com dinheiro mais barato só funciona se a torneira do gasto fechar junto.

Perguntas frequentes

Quem pode contratar o consignado do INSS?

Aposentados e pensionistas do INSS. Beneficiários do BPC/LOAS também podem, com margem menor (35%) e proteções reforçadas criadas em 2026: rebloqueio automático após cada contratação, anuência digital com biometria e proibição de contratação por tutores, curadores e procuradores (Lei 15.327/2026). Confirme a regra vigente no Meu INSS ou pelo 135.

Em quantas parcelas o consignado pode ser pago?

Desde maio de 2026, até 108 parcelas (9 anos), com carência de até 90 dias para o primeiro desconto (IN PRES/INSS 204/2026). Quanto mais longo o prazo, menor a parcela — mas maior o total pago em juros. Compare sempre o CET, não só a parcela.

Acabei de me aposentar. Posso contratar na hora?

Não: o benefício recém-concedido fica bloqueado para consignado por 90 dias, e o desbloqueio é feito pelo Meu INSS. Desde abril de 2026, o benefício também é rebloqueado automaticamente após cada contratação, exigindo novo desbloqueio com biometria facial. Desconfie de qualquer oferta que chegue logo após a aposentadoria sair: é o momento favorito dos golpistas.

Onde vejo os consignados descontados do meu benefício?

No extrato de empréstimos do Meu INSS (aplicativo ou site) ou pelo telefone 135. O extrato lista cada contrato, o banco, a parcela e o prazo. Consultar esse extrato de tempos em tempos é a forma mais rápida de flagrar um empréstimo que você não contratou.

Posso cancelar um consignado que não pedi ou do qual me arrependi?

Sim. Pelo Código de Defesa do Consumidor, contratações feitas fora da agência (telefone, internet) podem ser desfeitas em até 7 dias, devolvendo o valor recebido. Para empréstimo não solicitado, registre contestação no banco, no Meu INSS ou pelo 135 — não gaste o dinheiro que caiu na conta.