Rotativo do cartão: como sair da dívida mais cara do país
Pagou só o mínimo da fatura? O restante caiu no rotativo — a linha de crédito mais cara entre as modalidades comuns para pessoa física no Brasil. As taxas médias do rotativo, divulgadas mensalmente pelo Banco Central, superam com folga as de qualquer outra linha, como crédito pessoal ou consignado — em maio de 2026, a média do rotativo estava em 449,9% ao ano, segundo a série de estatísticas de crédito do Banco Central.
Para entender o estrago: juros compostos altos trabalham contra você na mesma velocidade em que trabalhariam a favor num investimento. Uma dívida pequena dobra em poucos meses. Você pode ver esse efeito em números na calculadora de juros compostos — basta usar a taxa da sua fatura como a “taxa de rendimento”.
A regra dos 30 dias: o banco é obrigado a oferecer saída
Desde 2017, uma regra do Conselho Monetário Nacional limita a permanência no rotativo: você só pode ficar nele por até 30 dias. Depois de um mês, o banco deve transferir o saldo para um parcelamento com condições mais vantajosas que as do rotativo (Resolução CMN 4.549/2017, em vigor).
Além disso, desde 2024 há um teto: os juros e encargos do rotativo não podem passar de 100% do valor original da dívida (Lei 14.690/2023): uma dívida de R$ 500 para de crescer em R$ 1.000.
Duas observações importantes:
- “Condições mais vantajosas” não significa juros baixos. O parcelamento da fatura ainda é caro — só é menos caro que o rotativo.
- A regra não zera a dívida. Ela apenas impede que a bola de neve cresça na taxa máxima para sempre.
Passo a passo para sair do rotativo
- Pare de usar o cartão. Enquanto a dívida existir, congele novas compras. Se precisar, deixe o cartão fora da carteira e remova os dados dos apps de compra.
- Descubra o tamanho real da dívida. Anote saldo, taxa mensal e encargos. Sem esse número, qualquer negociação é no escuro.
- Negocie com o próprio banco. Peça a troca do rotativo por um parcelamento com taxa definida e prazo fechado. Anote a taxa oferecida — você vai usá-la no próximo passo.
- Compare com outras linhas. Crédito pessoal e consignado costumam ter juros bem menores que o parcelamento da fatura. A portabilidade permite levar a dívida do cartão para outra instituição que ofereça taxa menor.
- Verifique o Desenrola. Se a dívida já estiver negativada e você se encaixar nas regras do programa, pode haver desconto relevante. Veja como funciona no nosso guia do Desenrola.
O erro que mantém as pessoas presas
O erro mais comum é pagar o mínimo todo mês achando que está “controlando” a dívida. Não está: o mínimo cobre pouco mais que os juros, e o saldo quase não cai. Melhor uma solução definitiva — parcelamento negociado, portabilidade ou acordo com desconto — do que meses de pagamento mínimo.
Saldo devedor alto e juros compostos são uma combinação que só piora com o tempo. Quanto antes a troca por uma dívida mais barata, menor o custo total.
Este conteúdo é educacional e não substitui a leitura do seu contrato nem os canais oficiais do seu banco. Taxas e regras podem mudar — confirme as condições vigentes antes de decidir.
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